quarta-feira, outubro 26, 2005

Ali babás e os vários ladrões

Não sou grande defensor da Revista Veja, mas como bem colocado por eles essa semana: "Depois de brincar de referendo, é hora de falar sério..."

Tempo chuvoso, chega o jornal matinal, bem embalado na embalagem plástica.
Rasgo, pego, abro, leio, desmaio. . . . Volto.
A manchete continua ali, impassível: "Câmara aprova aumento de 78% para seus assessores". Leio a matéria, e descubro que os vereadores francanos acabam de elevar de R$1.000,03 para R1.783,00 os salários de seus secretários/assessores, e em outro tanto semelhante o salário de seu responsável pela imprensa.
Ainda não sei ao certo o motivo do aumento, mas desconfio que seja para que essas pobres pessoas possam pagar à multa irrisória que a mesma câmera de vereadores criou no último dia 06 de outubro, para aqueles pegos com celulares na biblioteca.
Dia 06 de outubro... interessante, é exatamente o mesmo dia em que a manchete do mesmo jornal, trazia: "Trabalhador de Franca tem salário do Maranhão", acompanhada, na capa, da foto de um trabalhador que vive em um barraco de madeira, além de uma pequena nota, que demonstra como os salários recebidos por nossos trabalhadores em geral se assemelham aos das regiões mais pobres do país.
Continuo tentando descobrir quem é que vem adulterando os periódicos que a Biblioteca recebe.
O país das maravilhas está ai, para todos, aumentam os salários de assessores e também dos trabalhadores, é claro, mas algum engraçadinho certamente modificou a notícia sobre os últimos, apenas para nos assustar.
Alguém vem mesmo brincando com o povo, resta achar os responsáveis. Fico feliz apenas por não ser o único que já percebeu as piadinhas. Afinal, depois de "brincar de referendo", e brincar de aumentar salários, podíamos unir as brincadeiras e "brincar de referendo de aumentar salário". Proponho a pergunta: "O salários dos trabalhadores brasileiros deve sofrer reajuste de 78%?" ou, ainda melhor: "Cada trabalhador brasileiro deve receber o direito de decretar o aumento do próprio salário quando julgar mais adequado?"
Mas, já é mesmo hora de parar de brincar e falar sério. Então, a brincadeira de aumentar salários dos ali-babás das classes de renda mais baixa fica pra depois. Talvez pra depois de conseguirmos julgar e punir os ladrões das classes de caráter mais baixo.

quinta-feira, outubro 20, 2005

No País das Maravilhas

Não, não estou falando da Biblioteca. Ela infelizmente ainda vai levar muito tempo para se tornar a maravilha que tem potencial para ser.
Confesso que essas palavras levaram algum tempo para se formar na tela em branco. Não sei se é realmente verdade, mas agora começo a acreditar que seja: "É muito difícil escrever sobre o óbvio."
Mas ao que parece, é mais difícil ainda perceber o óbvio, aquele, que é invisível, mas salta aos olhos.
Encontramos na Biblioteca todos os dias, pessoas das classes mais variadas. No entanto, as pessoas pertencentes a classes economicamente superiores são um tanto quanto raras. Motivos não faltam, é claro. Além de poder comprar livros com uma facilidade relativamente maior, pessoas de maior poder aquisitivo são em geral mais raras no em qualquer parte do Brasil, como um todo.
É claro que pessoas de mais elevada cultura já perceberam a importância não apenas do ato de ler, mas da noção de respeito ao bem público, pelo compartilhamento do livro e do conhecimento.
Existem usuários que, tenho certeza, poderiam comprar sem qualquer dificuldade os livrinhos infantis que levam para seus filhos, mas preferem apresentar a eles a riqueza desse prédio.
Salvo essas raras exceções, a Biblioteca em geral é utilizada pela população de classes médias e baixas, que não teria oportunidade de acesso aos (caros) livros de outra maneira.
Nesse contexto, dada a precariedade das condições da educação no país (que já foram motivo de alguns comentários...), é claro que inúmeras pessoas não foram privilegiadas com a instrução e noções mínimas que o Estado deveria lhes garantir.
Ao contrário disso, na iniciativa privada, essas pessoas, mesmo carentes, são privilegiadas com prestações a perder de vista, com aparelhos celulares a cartão cada vez mais baratos E contas de telefone fixa cada vez mais caras. Resultado? Simples. 70% da população de baixa renda que freqüenta a biblioteca, ao fazer seu cadastro, deixa claro que possui apenas telefone celular para contato. Não tem condições de pagar a assinatura fixa, então utilizam o celular somente para receber ligações, pagando a taxa mínima a cada três meses.
Ocorre que da soma dessa imensa quantidade de pessoas munidas de telefones celulares, com o silencioso ambiente da biblioteca, resulta um problema, bastante semelhante àquele que resulta do toque de um telefone no meio de uma sessão de cinema ou teatro.
Este problema precisa ser resolvido, é claro. Assim, semana passada, chega às minhas mãos a Lei Municipal nº 6436, de 06 de outubro de 2005. Trata-se de uma lei bastante simples e concisa: É proibido o uso de telefone celular no ambiente da Biblioteca. Caso isso aconteça, aquele que usar o telefone deverá pagar uma multa de DUZENTOS REAIS.
Parei. Li e reli o papel em minhas mãos. Após a terceira tentativa, desisti. Era realmente aquilo que estava lendo, e não a alucinação inicial que acreditei ser.
Por fim, fiquei absolutamente feliz ao constatar que a nova lei é real. Feliz, pois em um país com um salário mínimo obsceno, que mal garante ao trabalhador a comida diária para sua família, pensar em uma multa de DUZENTOS Reais por atender o celular, seria um completo absurdo.
Percebi então que a realidade tornou-se outra. Nesse momento, nesse preciso momento, descobri que não venho acompanhando adequadamente aos verdadeiros noticiários e revistas (creio que estão enviando cópias modificadas para a Biblioteca).
O país está em pleno desenvolvimento, não há crise, desemprego ou subemprego. Existe dinheiro sobrando, para pagar multas de duzentos reais quando atendermos ao telefone, existe uma política educacional e cívica que ensina a todas as crianças que não devem atender o telefone na biblioteca, cinemas ou sala de aula. NÃO existem problemas econômicos para o governo se preocupar, por isso sobra tempo para criar leis com pequenas multas irrisórias.
É realmente óbvio que, tal como Alice, estamos no país das maravilhas. O povo só padece nos livros de ficção da nossa Biblioteca. Afinal, não importa o governo, se vermelho ou azul, a realidade, essa é sempre cor de rosa.

domingo, outubro 16, 2005

Educação para todos

O acesso à Biblioteca, infelizmente não é para todos. E não digo isso apenas da nossa biblioteca, que fica no segundo andar, para o qual só existem escadas, sem uma rampa de acesso sequer (deficientes não precisam ler, isso é fato, claro). Analiso aqui algo muito mais essencial.
Percebemos facilmente quando uma pessoa não se sente à vontade de um local. E perceber isso naqueles que chegam à biblioteca é comum. As pessoas se sentem intimidades, parecem ter medo de todos os livros, como se imaginassem ser incapazes de se aproximar deles.
De fato, existe uma falta de bases educacionais que é real, com alunos que chegam sem ao menos a mínima noção de onde procurar o assunto sobre o qual estão pesquisando. Muitos não demonstram sequer interesse em aprender, e são logo rotulados de "preguiçosos", alunos que não gostam de estudar.Me pergunto se são realmente os únicos culpados, como tantas e tantas vezes já escutei, de meus próprios colegas de trabalho.
Eu creio que a resposta é não. Alunos que jamais são incentivados a procurar as respostas nos livros, jamais são instigados a ver a realidade com outros olhos, sequer compreendem para que estudam determinadas matérias. Não são levados a ver que matemática está em suas vidas a todo momento, no cálculo do troco do ônibus, até a porcentagem dos juros das lojas.
Vivenciamos situações absurdas, como a de um amigo professor, que ao corrigir uma prova de física deparou-se com "20/5 = 40".As bases educacionais do país estão abaladas, os professores não tem incentivo para ensinar (ao corrigir a prova com rigor, meu amigo foi repreendido pela direção da escola, pois precisa "empregar outros métodos de avaliação" e não reprovar o aluno.) e os alunos não tem incentivos para aprender.
O MEC elabora parâmetros curriculares sem avaliar a real situação do país, sem avaliar onde e como os conhecimentos adquiridos na escola serão empregados. Eu mesmo, jamais usei um logarítmo na vida.
Ainda assim, continuo me assustando com as situações que vejo todos os dias, quando uma pessoa que é considerada plenamente alfabetizada pelo nosso governo, chega até a biblioteca e não consegue entender o título de um livro. Essa pessoa vai entender seu conteúdo?
Não consigo entender de que forma o governo analisa a educação. Para mim, quem não sabe ler é analfabeto, e se alguém é analfabeto após passar anos nos bancos da escola, algo está verdadeiramente errado.
Infelizmente, cada vez mais isso me leva a pensar que a biblioteca realmente não é para todos. É só para aqueles que recebem verdadeira educação, e isso não quer dizer necessariamente aqueles que estão ou estiveram na escola. Infelizmente...

terça-feira, outubro 11, 2005

Livros e Desarmamento

Tá certo que ninguém mais aguenta falar no desarmamento. Sou um que se encaixa nessa categoria.
Mas, parece que o governo realmente não poupa seus esforços para garantir que o SIM vença. Numa suposta "comemoração" ao dia da criança, a Biblioteca Municipal recebeu semana passada a Caixinha do Desarmamento. Trata-se de um projeto da Editora Abril, Dinap (Distribuidora Nacional de Publicações) e Governos Estadual e Federal e funciona da seguinte forma:
1) A biblioteca municipal disponibiliza uma caixa, fornecida pela editora abril, (com propaganda por todos os lados, claro) onde as crianças devem depositar suas armas de brinquedo;
2) Para cada arma depositada na caixa, a criança recebe uma revistinha da Editora Abril... são montes e montes de Recreio e revistinhas Disney em geral (detalhe é que a mais "nova" data de 2002... creio ser um interessante modo de escoar a produção encalhada);
3) Por colaborar com a campanha, atuando como posto de troca, a Biblioteca ganha, inteiramente "grátis" uma assinatura semestral da Revista Recreio (aquela, com conteúdo educativo impecável, com páginas e páginas de atividades interessantes e que só vem com um brinde porque a Abril é muito boazinha, pois nem precisava, dado o elevadíssimo conteúdo cultural da publicação de 15 páginas);
4) No final, todos são felizes e contentes... a criança com sua nova revistinha, a Biblioteca com uma assinatura maravilhosa, o país, com menos armas de brinquedo nas ruas, a Editora, com rios de dinheiro nos bolsos, provenientes da parceria com os governos, e o governo, por ajudar a construir um país mais feliz, sem armas de brinquedo, atacando a criança, que ainda não entende bem do que se está falando, mas vai dizer pro pai votar SIM, pra ganhar mais brinde, digo, revista de conteúdo!

Depois de ver tamanha demonstração de preocupação cívica por parte do Poder Público, resolvi pesquisar um pouco mais sobre o assunto, e, por incrível que pareça, acabei mudando de opinião sobre o referendo. Percebi que é importantíssimo que todos votemos SIM, e os motivos não são poucos, como os que encontrei aqui: http://www.isystems.locaweb.com.br/bah/

1. Descobri que a chance de se sair bem ao reagir a um assalto é de uma em 288.345.774.324.500. As estatísticas provam que nos outros 288.345.774.324.499 casos, a vítima que reagiu morreu.

2. Descobri que a arma legal alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo. Ano passado me roubaram quatro mísseis stinger e três tomahawk.

3. Descobri que todos os pais que têm armas de fogo costumam deixá-las carregadas e engatilhadas em cima do sofá da sala. Por isso que 94 milhões de crianças brasileiras morrem brincando com armas de fogo todos os anos.

4. Descobri que todos os assaltantes de casa têm superpoderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente e apontam uma arma para a sua cabeça enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas.

5. Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer de toda forma entrar em casa e trocar tiros comigo. Eles adoram fazer isso.

6. Descobri que se o NAO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinta à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vai poder ir numa loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar.

7. Descobri que delegados e policiais civism militares e federais - que são em quase totalidade favoráveis ao NAO - não entendem N-A-D-A de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais.

8. Descobri que estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto. Afinal, todo mundo sabe que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos (que é de onde eles vêm) é IGUALZINHA à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que as teorias que eles têm vão funcionar direitinho aqui.

9. Descobri que 90% dos casos de homicídios são cometidos pelos chamados cidadãos de bem. Claro que isso é só dos homicídios ESCLARECIDOS, que são menos de 5% dos casos. Mas pela lógica, os outros 95% dos homicídios, que não são esclarecidos, também deve ser causados pelos cidadãos de bem.

10. Descobri que o governo quer que a gente vote sim. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública, e etc vem melhorando cada vez mais, dia a dia.

11. Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo.

12. Descobri que até agora, o desarmamento voluntário já deu resultados. É claro que a queda nos atendimentos dos postos do SUS em São Paulo nos ultimos 12 meses foi devido à diminuição do número de armas, e não devido a maiores investimentos em segurança e educação.

13. Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, e nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é só coincidência.

14. Descobri que todo mundo que tem arma de fogo é um suicida em potencial. E a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, falta de um ideal, falta de um sonho a buscar ou então distúrbios mentais como a depressão.

15. Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta eu ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender.

16. Caso isso não aconteça, basta eu fazer o sinalzinho do 'sou da paz' com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou um sujeito legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO.

17. Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido. Sem usar armas.

18. Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela!

E MAIS, ainda, que o BAH não comentou:

19. Se o comércio de armas for realmente proibido, o governo vai imediatamente mandar fechar TODAS as montadoras de automóveis, e ninguém mais vai poder comprar carros, afinal de contas, o trânsito brasileiro causa mais mortes anuais que as guerras no oriente médio.

20. Quando não pudermos mais comprar carros, todos vão caminhar mais, e isso vai garantir à população uma vida mais saudável e tranquila, longe daquele tumulto das avenidas das cidades.

21. Depois de proibir as armas para diminuir a violência, o governo prometeu que vai proibir o uso de álcool, uso de drogas, e vai proibir também os homicidios e sequestros, porque PROIBIR ADIANTA e RESOLVE TUDO.

22. DEPOIS, vai proibir a venda e uso de carros blindados utilizados pelos RICOS como defesa, afinal de contas, a violência vai deixar de existir.

23. Quando o desarmamento ocorrer, o governo vai instalar Caixas Coleta, como a da Editora Abril em pontos estratégicos do país. O cidadão vai, entrega sua arma, mas não ganha uma revistinha. Muito melhor! Ganha um nariz de palhaço e um alvo adesivo para colar na testa. Lindo!

24. E POR FIM, o governo vai proibir o analfabetismo, e vai gastar uma quantidade de dinheiro igual à empregada na campanha do desarmamento, (com cartazes, artistas, TV etc) na melhoria de escolas, da educação e da civilidade da população.

Quanto atingirmos esse ponto, nossa querida biblioteca vai certamente ganhar um investimento extra, talvez até receba mais uma ótima assinatura semestral. POR ISSO, e só por isso, pelo bem dela, é que agora eu quero votar no sim.

domingo, outubro 09, 2005

E fez-se a luz

O ambiente da Biblioteca é no mínimo, curioso. Percebi isso após trabalhar por um ano em um desses maravilhosos templos.
Tantas páginas, esperando que sejam abertas e revelem seus mistérios, ponte para o contato com outras épocas, outras idéias, outras pessoas... Pessoas. Exatamente isso.
As pessoas. Estes seres fantásticos que dia após dia tornam vivas as palavras escritas, ao delas tomar conhecimento, literalmente.A variedade de pessoas que por ali passa supera em muito a variedade de livros ali guardados. Cada um é um universo, cheio de aflições, desejos, dificuldades e soluções.Percebo, infelizmente, ao entrar em contato com essas pessoas, como é precário o acesso à cultura em nosso país.Percebo, infelizmente, que livros ainda são pequenos monstros, que podem devorar um incauto que deles se aproxime.Percebo, infelizmente, que "ordem alfabética" ainda é uma definição enigmática, à qual muitos ainda são alheios.Percebo, infelizmente, e acima de tudo, a falta de interesse que jovens e adultos tem pelas páginas. Talvez por nunca terem percebido tudo de bom que há dentro delas.Mas, depois de tudo isso, ainda percebo, felizmente, que tenho nas mãos o poder de dar minha ajuda, minha pequena parcela de ajuda, para guiar estas pessoas em direção à uma pequena luz.Espero ter a força suficiente para utilizar bem este poder.
Dedico este post inicial à pessoa que, infelizmente, me perguntou onde poderia encontrar "Os Lusíadas", de Machado de Assis, e com sua naturalidade, me deu a idéia de criar estas crônicas.

sábado, outubro 08, 2005


Hobbes

"Na realidade, justiça e injustiça são qualidades relativas aos homens em sociedade, não ao homem solitário. A mesma situação de guerra não implica na existência da propriedade... nem na distinção entre o Meu e o Teu, mas apenas no fato de que a cada um pertence aquilo que for capaz de o guardar.
Eis então, e por muito tempo, a triste condição em que o homem é colocado pela natureza com a possibilidade, é bem verdade, de sair dela, possibilidade que, por um lado, se apóia na Paixões e, por outro, em sua Razão. As paixões que inclinam o homem para a paz são o temor à morte violenta e o desejo de tudo o que é necessário a uma vida confortável... E a Razão sugere artigos de paz convenientes sobre os quais os homens podem ser levados a concordar."

Hobbes, Thomas - O Leviatã