E fez-se a luz
O ambiente da Biblioteca é no mínimo, curioso. Percebi isso após trabalhar por um ano em um desses maravilhosos templos.
Tantas páginas, esperando que sejam abertas e revelem seus mistérios, ponte para o contato com outras épocas, outras idéias, outras pessoas... Pessoas. Exatamente isso.
As pessoas. Estes seres fantásticos que dia após dia tornam vivas as palavras escritas, ao delas tomar conhecimento, literalmente.A variedade de pessoas que por ali passa supera em muito a variedade de livros ali guardados. Cada um é um universo, cheio de aflições, desejos, dificuldades e soluções.Percebo, infelizmente, ao entrar em contato com essas pessoas, como é precário o acesso à cultura em nosso país.Percebo, infelizmente, que livros ainda são pequenos monstros, que podem devorar um incauto que deles se aproxime.Percebo, infelizmente, que "ordem alfabética" ainda é uma definição enigmática, à qual muitos ainda são alheios.Percebo, infelizmente, e acima de tudo, a falta de interesse que jovens e adultos tem pelas páginas. Talvez por nunca terem percebido tudo de bom que há dentro delas.Mas, depois de tudo isso, ainda percebo, felizmente, que tenho nas mãos o poder de dar minha ajuda, minha pequena parcela de ajuda, para guiar estas pessoas em direção à uma pequena luz.Espero ter a força suficiente para utilizar bem este poder.
Dedico este post inicial à pessoa que, infelizmente, me perguntou onde poderia encontrar "Os Lusíadas", de Machado de Assis, e com sua naturalidade, me deu a idéia de criar estas crônicas.


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