Educação para todos
O acesso à Biblioteca, infelizmente não é para todos. E não digo isso apenas da nossa biblioteca, que fica no segundo andar, para o qual só existem escadas, sem uma rampa de acesso sequer (deficientes não precisam ler, isso é fato, claro). Analiso aqui algo muito mais essencial.
Percebemos facilmente quando uma pessoa não se sente à vontade de um local. E perceber isso naqueles que chegam à biblioteca é comum. As pessoas se sentem intimidades, parecem ter medo de todos os livros, como se imaginassem ser incapazes de se aproximar deles.
De fato, existe uma falta de bases educacionais que é real, com alunos que chegam sem ao menos a mínima noção de onde procurar o assunto sobre o qual estão pesquisando. Muitos não demonstram sequer interesse em aprender, e são logo rotulados de "preguiçosos", alunos que não gostam de estudar.Me pergunto se são realmente os únicos culpados, como tantas e tantas vezes já escutei, de meus próprios colegas de trabalho.
Eu creio que a resposta é não. Alunos que jamais são incentivados a procurar as respostas nos livros, jamais são instigados a ver a realidade com outros olhos, sequer compreendem para que estudam determinadas matérias. Não são levados a ver que matemática está em suas vidas a todo momento, no cálculo do troco do ônibus, até a porcentagem dos juros das lojas.
Vivenciamos situações absurdas, como a de um amigo professor, que ao corrigir uma prova de física deparou-se com "20/5 = 40".As bases educacionais do país estão abaladas, os professores não tem incentivo para ensinar (ao corrigir a prova com rigor, meu amigo foi repreendido pela direção da escola, pois precisa "empregar outros métodos de avaliação" e não reprovar o aluno.) e os alunos não tem incentivos para aprender.
O MEC elabora parâmetros curriculares sem avaliar a real situação do país, sem avaliar onde e como os conhecimentos adquiridos na escola serão empregados. Eu mesmo, jamais usei um logarítmo na vida.
Ainda assim, continuo me assustando com as situações que vejo todos os dias, quando uma pessoa que é considerada plenamente alfabetizada pelo nosso governo, chega até a biblioteca e não consegue entender o título de um livro. Essa pessoa vai entender seu conteúdo?
Não consigo entender de que forma o governo analisa a educação. Para mim, quem não sabe ler é analfabeto, e se alguém é analfabeto após passar anos nos bancos da escola, algo está verdadeiramente errado.
Infelizmente, cada vez mais isso me leva a pensar que a biblioteca realmente não é para todos. É só para aqueles que recebem verdadeira educação, e isso não quer dizer necessariamente aqueles que estão ou estiveram na escola. Infelizmente...


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